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GOIÂNIA 86 ANOS (1933-2019)



A SAGA DO AUTOMÓVEL EM GOIÁS

A revista Auto Club News convidou o professor e pesquisador Bento Fleury para nos brindar com suas relíquias históricas sobre a origem dos primeiros automóveis que chegaram ao estado de Goiás, no período denominado de segunda revolução industrial.

Há cem anos, 1919, estava em pleno funcionamento a “Companhia Auto-Viação Goyana”, de Edmundo José de Moraes, que tinha o “Escriptorio Central em Goyaz Capital”, dirigido por Moacyr José de Moares e uma filial na cidade de “Santa Cruz de Goyaz”, dirigida pelo padre Julião Calzada, primeiro e importante ponto da esperada estrada, que seria aberta de Roncador até a velha capital. Esta empresa recebera, nesse ano, a subvenção de trinta e cinco contos de réis, do governo de João Alves de Castro, em sete parcelas, cada qual paga na inauguração de pontos dessa estrada, que tinha a intenção de tirar a Cidade de Goyaz do letargo em que vivia. A primeira seria de Roncador até Santa Cruz. A segunda até Bella Vista de Goyaz; a terceira até Campininha das Flores; a quarta até o districto de Trindade; a quinta até Goyabeiras (Inhumas); a sexta até Curralinho (Itaberaí) e a sétima até a capital. No começo dos trabalhos, segundo notícias do “Correio Oficial”, as obras tiveram que ser interrompidas por conta do surto de “Gripe Hespanhola” em Santa Cruz, depois retomadas. Durante muito tempo, os serviços foram intensos, com uso de mão de obra das fazendas por onde passava, a estrada chegou até a velha cidade do Anhanguera, para que os primeiros automóveis e o progresso lentamente rompessem os contrafortes da Serra Dourada. Essa empresa pioneira merece destaque pela luta de seu fundador, que mesmo cego pelo glaucoma, tinha iniciativa e entusiasmo na luta pela vida. Pequenas histórias de nossa terra, na saga dos dias pioneiros!

Vista aérea de Goiânia em seus primórdios

100 ANOS DE HISTÓRIA

Foram pouco a pouco povoando as antigas estradas carreiras, notadamente no Sudoeste, com José Sabino de Oliveira (Zé Cachimbo) e João Ford. As viagens eram uma façanha, no enfrentamento de toda sorte de adversidades, notadamente a ausência de pontes. Poeira ou lama, estradas que acabavam, árvores pelos caminhos, bichos e outros impedimentos surgiam. As primeiras mudanças que saíram dos lentos carros de bois e passaram a ser feitas nos pequenos carros. Em certos tempos, como mostra a segunda imagem, certos profissionais fi cavam mais de quinze dias esperando a normalização das águas e dos atoleiros. Uma grande história essa do “cavalo de rodas” no sertão de Goiás. Na nova capital o carro adentrou pouco a pouco. A imagem nos mostra a Avenida 24 de outubro há exatos 82 anos, 1937, vista a partir da Praça Joaquim Lúcio Tavares, nos tempos agitados da transferência definitiva da capital, mas, com pouco movimento nesse dia, por ser feriado de Semana Santa; o primeiro que se passou na nova cidade, em que muitos voltaram à velha Cidade de Goiás para acompanhar os centenários eventos religiosos. Nota-se, ao longe, a extensão do cerrado onde seria a extensão de Goiânia, os poucos automóveis, a precária iluminação elétrica e a “Tareca”, primeira jardineira, parada no seu ponto, no comércio de esquina da praça, sem passageiros desse dia. Goiânia estava ali perto, adormecida no primeiro feriado de sua existência e Campininha das Flores ainda era a referência de comércio, de movimento e de vida; com seus carros de praça, sua gente, e a vida a seguir sempre, c om suas contradições e desacertos, no sonho de cidade em pleno sertão! Ah, Campininha, berço de Goiânia, sacolejada pelo resfolegar dos primeiros carrinhos. Quanta história!

Goiania década de 1950

EDMUNDO JOSÉ DE MORAES

Na foto, com 50 anos, já cego pelo glaucoma

Foto de 1922

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